Participe do juri popular e vote no videoclipe “Rio Negro”
O artista, cantor, ator, cineasta e multiartista amazônida Eric Max foi oficialmente selecionado para a Mostra Competitiva de Videoclipes do Amazônia FiDoc #11 com a obra “Rio Negro”, um videoclipe que une música, cinema, ancestralidade e território em uma experiência audiovisual profundamente ligada ao Amazonas.

A seleção marca um momento importante para a trajetória de Eric Max e para a expansão do Ixé Pop Amazônico, linguagem artística musical criada pelo artista para expressar uma Amazônia contemporânea, sensorial, indígena, ribeirinha e conectada ao mundo.
Pra além de um videoclipe musical, “Rio Negro” se apresenta como uma obra cinematográfica ritualística de identidade, encantaria e resistência cultural.
Uma obra onde o Rio Negro é protagonista
Em “Rio Negro”, o território amazônico de Novo Airão não aparece apenas como paisagem. O rio é tratado como presença viva, força espiritual e personagem central da narrativa.
O videoclipe acompanha a travessia de um homem-sereia ferido, figura encantada que carrega em si a mística das águas. Em sua jornada, ele é cuidado por uma pajé em um gesto de cura ancestral, enquanto uma cacique transmite saberes à sua neta, fortalecendo a passagem de memória entre gerações.
A obra constrói uma narrativa visual entre o real e o fantástico, trazendo elementos simbólicos que ampliam a força poética do clipe. Entre eles, estão o remo que se transforma em microfone, o barco noturno convertido em espaço ritualístico, o cocar de LED criado especialmente para a obra e a presença da Borboleta Azul como totem de transformação espiritual.
Esses elementos fazem de “Rio Negro” uma obra que ultrapassa o formato tradicional do videoclipe, aproximando música, cinema, performance, espiritualidade e cosmovisão amazônica.
Produção independente, feita pela força do território
Uma das grandes potências de “Rio Negro” está em sua forma de produção. O videoclipe foi realizado sem financiamento público, sem edital e sem apoio político.
A obra nasceu da união entre artistas, produtores, comunidades indígenas, artesãos, parceiros locais e pessoas que acreditaram na força do projeto. A produção envolveu diretamente colaboradores indígenas de Novo Airão, Manaus e Iranduba, fortalecendo uma rede criativa construída a partir do território.
Essa força da comunidade torna o projeto ainda mais simbólico. “Rio Negro” não é uma obra que apenas fala sobre a Amazônia conemporânea ancestral. Ela nasce da Amazônia, com a participação de pessoas que vivem, carregam e preservam essa memória.
Povos indígenas, arte e ancestralidade
O videoclipe conta com a participação de povos indígenas do Rio Negro e com colaboração da AMARN – Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro, por meio da arte indígena de Maria de Jesus Da S. Miranda Desana, AMARN – NUMIÃ KURÁ.
A presença indígena na obra não aparece como adereço estético, mas como fundamento. As biojoias, os artefatos, os corpos, os cantos, as danças e as presenças em cena constroem um campo visual de pertencimento e afirmação.
“Rio Negro” valoriza a cultura indígena amazônica sem folclorizar sua presença. A obra propõe um olhar contemporâneo, decolonial e sensível, no qual ancestralidade e futuro caminham juntos.
Ixé Pop Amazônico: música, cinema e identidade
“Rio Negro” é uma das obras que expressam o conceito de Ixé Pop Amazônico, estilo artístico desenvolvido por Eric Max a partir de suas raízes no Rio Negro.
A proposta une sonoridades que partem de elementos da natureza, como o som da água, a energia pop, elementos indígenas, língua Nheengatu, estética cinematográfica e espiritualidade amazônica. Em vez de apenas adicionar referências regionais ao pop, o Ixé Pop Amazônico nasce do próprio território como linguagem original.
No videoclipe, essa ideia aparece de forma visual e sonora. A música conduz uma experiência de pertencimento, enquanto as imagens transformam o Rio Negro em um portal de memória, cura e encantamento.
Ficha técnica de destaque
Um filme de: Eric Max
Produção: Borboleta Azul Filmes
Direção Executiva: Christian Gonnet
Direção de Produção: Adson ColaresProdução: Regiane Pereira
Produção Executiva: Muiraquitã Produções
Direção de Fotografia: Williams Ferry
Direção de Caracterização e Maquiagem: Indígena Make
Direção de Arte: Eric Max
1º Assistente de Produção de Arte: Otiniel Moris
Arte Indígena: Maria de Jesus Da S. Miranda Desana, AMARN – NUMIÃ KURÁ
Produção Musical/ Selo Musical/Gravadora: Borboleta Azul Music/Guardiões do Tímpano
Mixagem e Masterização: Frederico Santiago
Produção do Cocar de LED: Jefferson Livramento dos Passos Sousa
Design de Capa: Carina Desana – Horopakó
Pós-Produção: Williams Ferry Filmes
O elenco conta com Eric Max, Janete Matos, Jôce Mendes, Paulo Eduardo, Veronica Pacheco Baré, Francivalda Barreto Baré e Linda Inez.
Bailarinos: Gabriel Sousa, Jeh Almeida e Marilson Santana, além de integrantes de povos indígenas do Rio Negro, como Mayara Cristina, Elias Baltazar Baré, Maressa Amazonas, Irene Baltazar Baré, Valdir Luciano da Costa Baré, Gilcilene Rodrigues (Lacy) e Wigson Lucas.
Júri Popular: o público também decide
Com a seleção no Amazônia FiDoc #11, “Rio Negro” também participa da disputa pelo Prêmio do Júri Popular, definido pelo número de curtidas no vídeo oficial publicado no canal do festival no YouTube.
A votação segue até 23:59 do dia 03/05.
Para participar, basta assistir ao videoclipe no canal oficial do festival, curtir o vídeo e compartilhar com outras pessoas.
Assista e vote em “Rio Negro” no YouTube:
https://youtu.be/fLuI9qUNQIQ?si=PbMEBLwsTo6J_BbD
Cada curtida fortalece a presença da arte amazônica em espaços de visibilidade nacional e internacional.
Uma vitória coletiva da Amazônia
A seleção de “Rio Negro” no Amazônia FiDoc representa mais do que uma conquista individual. Ela afirma a força de uma rede artística amazônica que existe apesar das dificuldades, da falta de financiamento e da ausência de grandes estruturas.
A obra mostra que é possível criar cinema, música e arte contemporânea a partir do território, com identidade própria, união comunitária e profundidade estética.
“Rio Negro” é canto, filme, ritual e manifesto. Uma obra que transforma o rio em linguagem e leva para a tela a força viva da Amazônia.

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