No último sábado (23), o sol já estava mais baixo quando a Casa Tucum virou palco de um acontecimento que, com certeza, vai ficar marcado nos nossos corações e na nossa história. A Borboleta Azul estava lá, cheia de orgulho e com o peito quente de emoção, pra prestigiar o lançamento da coleção de verão Muiraquitã da WANWAN, marca do nosso irmão manauara Wanglêys Manaó.

Esse evento não foi só moda; foi um manifesto vivo da nossa ancestralidade, da nossa força e da nossa capacidade de transformar o mundo à nossa volta. Foi uma experiência pluriétnica, um abraço entre o ontem e o amanhã, tudo registrado com a lente sensível do fotógrafo Adson Colares Baré, que soube captar a essência do que rolou ali com uma precisão quase espiritual.
A chegada na Casa Tucum: um portal cultural
A Casa Tucum, no Rio de Janeiro, parecia que estava respirando junto com a gente. O espaço estava repleto de gente de todas as cores, idades e origens, cada um trazendo consigo uma energia diferente. Era como se aquele lugar fosse um pedacinho da floresta, só que no meio da cidade grande.

Antes do desfile começar, o ambiente já era pura vibração. Potes de cerâmica, colares feitos à mão, artesanatos indígenas — tudo isso estava por ali, como se as nossas raízes estivessem dizendo: “Ei, olha só! A gente tá aqui, e somos fortes!”
Abrindo com a arte do teatro mito ritualístico: “Florestal”
Às finda solares da tarde, a performance “Florestal” começou. Que coisa linda foi ver o José Ribamar Mitoso recebendo essa manifestação artística em forme de homenagem, de urucum, que parecia conectar terra, céu e gente. No palco, os atores Eric Max e Giu Maué deram vida ao espírito da floresta com uma força de arrepiar. O Eric, que é de Novo Airão, e o Giu, de Manaus, pareciam em transe, representando o espírito das nossas árvores, o mergulho dos rios, dos bichos e o próprio sopro da Avó Yepá na casa do vento, no Alto Rio Negro.

Quem tava ali pôde sentir o quanto essa apresentação não era só teatro. Era uma oração coletiva, um agradecimento pela vida e uma mensagem poderosa: nós, povos originários, somos arte, somos resistência, somos presente, futuro somos a maior diversidade indígena do mundo.

Quando o Muiraquitã virou moda
E aí veio o momento mais esperado: o desfile da coleção Muiraquitã. Amanda, da casa Tucum subiu ao palco pra falar um pouco antes e, olha, quem estava ali viu que Wanglêys estava emocionado. Não era só a estreia da coleção; era a realização de um sonho.

As peças? Meu Nhanderu do céu, que coisa mais linda! Cada roupa tinha um detalhe único, as pinturas feitas à mão, as texturas que lembravam os desenhos de muiraquitãs e grafismos. Era como se cada tecido tivesse uma história pra contar, um pedaço da nossa ancestralidade misturado com o mundo urbano.

“Muiraquitã” não é só roupa, é identidade. Wanglêys conseguiu mostrar que a moda pode ser indígena e, ao mesmo tempo, contemporânea, agênero, livre. Não tinha como não se emocionar vendo cada modelo desfilar com orgulho, mostrando que ser indígena é estar sempre se reinventando sem perder o que somos.
Um momento de celebração coletiva
Depois do desfile, a vibe era só alegria. Todo mundo conversando, tirando foto, admirando as peças. Ver pessoas de fora do nosso círculo, gente da cidade grande, tão encantadas e respeitosas, foi especial.

Adson Colares Baré, nosso fotógrafo, tava por todo lado, registrando cada sorriso, cada olhar emocionado, cada detalhe. As fotos dele são muito mais do que imagens; são memórias vivas que vão ajudar a eternizar o que foi essa noite mágica.
Um futuro brilhante pro nosso Wanglêys
Pra nós, que somos do Amazonas, ver um dos nossos conquistando espaço na moda, com tanto talento e respeito pelas raízes, é uma vitória coletiva. Wanglêys não é só estilista; ele é um artista de histórias, um ressignificador de identidades.

Ele ainda coordena os figurinos do Grupo Florestal de Teatro Indígena Pluriétnico, que foi fundado agora, em 7 de novembro de 2024, com dramaturgia do grande José Ribamar Mitoso. Ver esse grupo se formando e se fortalecendo é mais um sinal de que estamos no caminho certo.
Uma noite pra não esquecer
Se eu pudesse resumir essa noite em uma palavra, seria “orgulho”. Orgulho de ser quem somos, de onde viemos, e do que estamos construindo. A coleção Muiraquitã não é só sobre roupa; é sobre representar, lutar e vencer.
Quem esteve lá, viu. Quem não esteve, ainda vai ouvir muito falar desse momento. Porque o que aconteceu na Casa Tucum foi história sendo feita, e eu tenho certeza que esse foi só o começo.
Parabéns, Wanglêys Manaó, por nos mostrar que a moda também pode ser nossa! E parabéns a todos que fizeram parte desse evento inesquecível. Que venham mais encontros como esse, porque a nossa voz só tá começando a ecoar.
📸 Fiquem ligados! Em breve, vamos soltar mais fotos maravilhosas de Adson Colares Baré. Cada clique é uma obra de arte!
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